
17 milhões de quilômetros quadrados, ou 11% de toda a superfície terrestre do planeta.
Essa dimensão faz da Rússia o país mais extenso do mundo.
Um país, aliás, com 11 fusos horários e as maiores reservas de energia e minérios da Terra – muitas ainda não exploradas.
Começando pela história, 12 séculos atrás.
Foi quando chegaram à Europa os eslavos orientais, um grupo étnico do qual derivam os russos, ucranianos e bielorrussos.
As primeiras referências escritas sobre esse grupo só aparecem ao final do século oitavo, quando eles começaram a desenvolver um idioma próprio.
Foi a partir dessa época que chegaram ao leste europeu os missionários gregos Cirilo e Metódio, que não apenas levaram o cristianismo para lá como contribuíram para que fosse criado o alfabeto
cirílico. Esse alfabeto é usado até hoje em mais de 50 idiomas, como o russo, ucraniano e cazaque.
Naquela época, os eslavos se organizavam em pequenos principados. Um deles era o de Novgorod, onde hoje fica a Rússia, e foi a origem do primeiro grande Estado eslavo, chamado Rus de Kiev.
Por volta do ano 860, um viking chamado Rurik virou príncipe de Novgorod e seu sucessor, Oleg de Novgorod, passou a unificar todos os principados eslavos, transferindo sua capital para Kiev, hoje capital da Ucrânia.
Mas Rus de Kiev se desintegrou no começo do século 13 com a expansão
do império mongol. A invasão comandada por Batu Khan, neto de Genghis Khan, permitiu aos mongóis ocupar toda a Rus de Kiev, exceto pela república de Novgorod.
Depois, com a fragmentação do império mongol surgiu o Principado de Moscou, apontado como a origem do que hoje conhecemos como Rússia.
Também chamado de Moscóvia, esse principado foi ganhando prestígio e ampliando suas fronteiras durante os séculos 14 e 15. As maiores conquistas foram no reinado de Ivan 3°, o Grande, que em 1478 adotou o título de “soberano de toda a Rússia” e proclamou Moscou como a Terceira Roma – ou seja, herdeira dos impérios romano e bizantino.
Mas seu neto, Ivan 4°, o Terrível, deu um passo além e em 1547 se autoproclamou czar, um termo derivado do césar latino.
Durante seu reinado, o agora denominado czarado russo se ampliou rumo ao Cáucaso, até os reinos de Kazan e Astrakhan, no oeste e sudoeste da Rússia.

Foi nesse período também que começou a ocupação russa da Sibéria, com o envio à região de centenas de cossacos, um dos povos que formaram a Rússia.
Essa ocupação acabou sendo vantajosa: é na Sibéria que
ficam as maiores reservas de gás natural do mundo, e uma das maiores de petróleo.
Mas os avanços da expansão russa não evitaram o fim da dinastia Rurikovich,
no fim do século 16, que reinava por ali desde a criação da Rus de Kiev. Viria em seguida uma nova dinastia, a dos Romanov, que duraria até a revolução de 1917.
O primeiro foi Miguel Romanov, em 1613, que recuperou a estabilidade do país
e deu continuidade às conquistas rumo ao leste, sem encontrar grandes obstáculos ou resistência.
O avanço foi tão rápido que, lá por 1639, o explorador Ivan Moskvitin
chegou à costa do Oceano Pacífico e virou o primeiro europeu a navegar
pelo que hoje conhecemos como estreito de Bering, entre a Ásia e a América do Norte.
O nome do estreito é uma homenagem ao navegador dinamarquês Vitus Bering, que trabalhava a serviço da Rússia e iniciaria mais tarde a exploração
da região que hoje é o Alasca, até ela ser vendida aos Estados Unidos.
Enquanto isso, no lado oeste, a Rússia conseguiu recuperar territórios da antiga Rus de Kiev.
A grande mudança seguinte na história da Rússia veio com Pedro 1°, o Grande. Em 1721, ele assumiu o trono de imperador, e o czarado virou o Império Russo.
Essa decisão ocorreu depois de uma vitória importante diante da Suécia,
dando aos russos um acesso ao Mar Báltico. Foi justamente durante essa guerra que foi fundada a cidade de São Petersburgo, em homenagem a Pedro 1°, que virou a capital do império.
Mas as conquistas do lado oeste eram difíceis. Na região do Mar Negro,
por exemplo, a imperatriz russa Catarina 2ª, a Grande, precisou lutar contra o Império Otomano para anexar a Crimeia em 1783 e Odessa em 1793.
E um acordo com a Prússia e a Áustria fez o Império russo anexar o leste da Polônia.
Pouco depois, a Finlândia também passaria temporariamente às mãos russas, em 1809.De volta ao lado leste, um marco foi a inauguração da ferrovia transiberiana, em 1904, que partia de Moscou e terminava no Oceano Pacífico.
O império expandiu seus domínios até a Ásia Central, em territórios que hoje conhecemos como Cazaquistão, Uzbequistão e Turcomenistão.
Mas, assim como a dinastia Rurikovich, a dos Romanov também teria seu fim – e assim chegamos ao início do século 20.
A insatisfação popular crescia diante da corrupção, escassez de comida e sistema de privilégios do Império Russo, e chegou ao auge com a devastação humana e econômica causada pela Primeira Guerra Mundial, que abalou o prestígio russo como potência europeia.
Foi o caldeirão que ajudou a instigar a Revolução Russa de 1917, forçando a renúncia do czar Nicolau Segundo – que meses depois seria executado com sua família pelos bolcheviques.
Daí nasceria a comunista União Soviética, que se estruturou em várias repúblicas, sendo a maior delas a República Socialista Federativa Soviética da Rússia.
Mas o fim do império levaria também à independência da Finlândia, da Polônia e dos países bálticos: Estônia, Letônia e Lituânia.

Veio a Segunda Guerra Mundial, e a União Soviética voltou a anexar as nações bálticas, assim como algumas regiões da Finlândia, da Alemanha e da Polônia. A região de Kaliningrado, por exemplo, que hoje pertence à Rússia, era antes parte da Alemanha.
Com a desintegração da União Soviética, em 1991, voltaram a surgir vários Estados independentes pós-soviéticos, incluindo a Federação Russa.
Desde então, as fronteiras da Rússia não mudaram tanto, com exceção da anexação da península da Crimeia, em 2014, em disputa com a Ucrânia. O episódio – e os conflitos subsequentes – deu início à escalada de tensão que culminou, em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia.
São doze séculos de expansão, guerras, dinastias e revoluções que deram à
Rússia essa grandeza territorial e abundância de recursos naturais.